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“Quanto mais do mundo vi, menos pude moldar-me à sua maneira.”
[Rousseau]

Bateu saudades do meu tempo de criança, lá pros meus seis, oito anos. Era tudo tão bom, não existiam lágrimas de decepções, tristeza ou saudades. Eu chorava por medo, por cortar o dedo ou cair de bicicleta. Uma bala e um bombom já me faziam tão feliz. Brincar de casinha e de ser grande parecia mágico e minha única raiva era por não me deixarem ser a “mãe”. Era feliz, e não sabia como iria doer essa transição de fases. Hoje toda essa magia desapareceu e só deixou a nostalgia doce do meu antigo conto encantado. Ciúmes eu só tinha das minhas bonecas preferidas e da barbie do vestido com mais brilhinhos. Não existia insônia, dormia tão bem e acordava cedinho na expectativa de assistir os desenhos animados, como se perder aquilo fosse o fim. E a primeira vez que tomei as gotinhas da vacina sem chorar? Me exibi tanto, me achava incrível feito a mulher maravilha. Ia pra escola na maior alegria e chegava em casa louca pra fazer os deveres de casa e brincar. Quando conseguir andar de bicicleta pela primeira vez sem ser amparada a sensação de orgulho e auto confiança se transformaram em um dos meus sorrisos sinceros que desaparecerão com o fim da infância. Adorava ser mimada, e um colo me faz tanta falta agora. Desse tempo só me restam lembranças de um pinguinho e arrependimento por querer crescer tão rápido. (revivend-o)
(via mundo-dos-mortos)